Ueshiba concebeu o aiquidô a partir da sua experiência com dezenas de artes marciais mas com o núcleo baseado na escola vetusta dodaito-ryu aiki-jujutsu, com sensei Sokaku Takeda, ao qual incorporou técnincas do kenjutsu (técnica da espada) e do jojutsu (técnica do bastão curto). Noutra mão, a despeito da origem guerreira, o carácter distintivo reside do modo preciso em não se opor ao adversário, mas, antes de qualquer coisa, envolvê-lo e utilizar de sua própria agressividade e energia. E, conforme o nome da arte sugere, toda sua prática está intimamente relacionada ao conceito de ki, uma energia natural que flui no corpo humano: o aiquidô extrapola e faz do controle/harmonização do ki sua mola mestra, isso claro no estudo do provecto princípio do aiki (relacionado ao kiai), que tem estado presente nas mais diversas disciplinas orientais e pretende resolver uma deficiência não pelo choque mas pela concórdia.[2]
Outro atributo de relevo da arte é seu apego ao desenvolvimento espiritual. Isso advindo dum dos mentores de Ueshiba, o mongeOnisaburo Deguchi, líder da seita Oomoto-kyo, no Japão, a quem, depois de um encontro fortuito, passou a seguir e ser protector pessoal.[3]
Após seu passamento, a unidade da arte marcial manteve-se quase intacta, permanecendo precipuamente sub a condução de seus sucessores naturais, Kisshomaru Ueshiba (1921-1999) e Moriteru Ueshiba (1951). Isso, todavia, não impediu que outras entidades surgissem, cada qual com uma proposta e uma lobrigação particular sobre a modalidade. Porém, ao praticante realmente comprometido, chamado de aiquidoca, resta a consciência de sua origem.
História
Morihei Ueshiba nasceu no Japão no dia 14 de Dezembro de 1883 e faleceu em 26 de abril de 1969. Durante a infância, presenciando com frequência malfeitores espancarem seu pai por problemas políticos, decidiu fazer-se forte para poder se vingar.[5] Tornou-se experto em vários modalidades de disciplinas de combates, alguns estilos de jiu-jitsu, espada e lança, mas, apesar de suas impressionantes capacidades físicas e marciais, sentia-se insatisfeito.[6]
Ueshiba, então, voltou-se para o estudo religioso, na esperança de encontrar um significado mais profundo para a vida. Esse aspecto religioso, combinado com treino e com suas algumas correntes ideológicas e políticas, criou a cércea na qual uma nóvel arte marcial. A bem da verdade, o aiquidô surgiu de um processo de evolução pessoal e que ficou marcado como paradigma a ser seguidos pelos aiquidocas. Por exemplo, o nome da arte somente foi cunhado em meados de 1942, sendo antes referida como aikibudo e aikinomichi.[7]
De qualquer forma, arte marcial não surgiu senão na metade inicial do século XX. Antes, era basicamente uma ideia na mente de seu fundador, que permanecia a treinar as diversas disciplinas aprendidas durante sua vida. O aiquidô é indubitavelmente uma escola de jiu-jitsu, pelo que suas raízes do aiquidô podem ser traçadas muito dentro da história do Japão e mais além, como o próprio nome faz sugerir, pois o conceito do ki (uma espécie de energia que flui através do corpo de uma pessoa e pode ser achada em tudo), e do aiki, não é exclusivo da região. Esses conceitos podem ser restreados por todo o Oriente (Índia e China, principalmente).
Na juventude, em 1898, Ueshiba mudou-se de Osaca para Tóquio, onde teve contacto mais profundo com diversas artes marciais, escolhendo didicar-se a três estilos distintos: Tenjin Shinyo-ryu, de jujutsu; Hozoin, de bojutsu; e Yogyu Shinkage-ryu, de kenjutsu.[8]
Depois, Ueshiba mudou-se para Hocaido, uma ilha setentrional e bastante inóspita do arquipélago nipônico, como cabeça de um grupo colonizadores e aventureiros. Naquele momento, por volta de 1905, encontrou-se na ilha com o mestre guerreiro do clã homônimo, Sokaku Takeda. Takeda era praticamente o último representante da arte marcial samurai, à época conhecida como daito-ryu jujutsu e um tanto obscura, pois era praticada somente de forma hereditária. Desde o encontro, Ueshiba passou a treinar com Takeda.
Na segunda metade da década de 1920, retornando à terra natal, Ueshiba aproximou-se de Onisaburo Deguchi, líder religioso, ficou bastante impressionado. Contacto esse que foi a última influência no desenvolvimento da nóvel arte, emprestando o marcante aspecto filosófico e pacifista.[8]
A despeito de incipiente, espiritualidade e reflexão estiveram presente. Segundo o próprio fundador, sua arte não foi aprendida inteiramente com mestre Takeda, mas, mais importante, ele teria pavimentado o caminho para seu surgimento: «Takeda abriu-lhe os olhos». O encontro com Deguchi deu-se ainda na estação de Ayabe. Saindo do comboio ferroviário, chamou a atenção de Ueshiba o facto de haver uma grande multidão ao redor de um certo homem, pessoas de todo tipo e até vestidas com roupas formais e até quimonos ceremoniais. Seguindo o homem até uma alameda de templos, entrou num deles e pôs-se a orar... Ao abrir os olhos, deparou-se com Deguchi que lhe perguntou o que tinha visto. Usehiba disse ter visto a face morimbunda do pai, ao que Deguchi lhe disse que estava tudo bem com o ancião, eis que sua vida chegava ao ocaso de forma natural e ele (o pai) estaria bem por si mesmo.[3]
Chegando em casa, Ueshiba somente encontrou a notícia de seu pai já tinha ido a óbito. Entretanto, o ancião havia-lhe deixado um último conselho: «viva livremente e realize tudo o que se dispuser a fazer». Depois do choque e de uma reclusão, Ueshiba retornou até Ayabe para encontrar Deguchi, que lhe teria dito que sua verdadeira missão era criar uma arte que ajudaria a humanidade.[3]
[editar]Difusão
Conforme sucedeu com outras artes marciais japonesas, depois que o Fundador faleceu (sendo a figura unificadora), fatores internos levaram à fragmentação da modalidade e, assim, hoje a arte possui algumas ramificações, a maioria criados por antigos alunos de O-Sensei. Por outro lado, alguns apontam que o aiquidô não possui estilos verdadeiros, eis que o próprio Fundador admitia que os instrutores ensinassem conforme seu entendimento.[8]
- Aikikai - É o pricipal estilo. Está relacionado à Fundação Aikikai no Japão encabeçada pelo Doshu ("mestre do caminho") Moriteru Ueshiba, neto do Fundador. Em caráter global, o estilo é representado pela International Aikido Federation (IAF). Diferentemente de outras escolas, no Aikikai cada mestre busca sua própria interpretação do aiquidô. Isso reflete em uma grande diversidade técnica dentro da organização, do "estilo". De qualquer maneira, a técnica é sempre fluída e não há competições de nenhuma forma.
- Iwama - (conhecido como Iwama Ryu ou, mais recentemente, Iwama Juku) - Trata-se de um nome informal para o estilo de aiquidô ensinado por Morihei Ueshiba no dojo de Iwama no período do pré-Guerra. É comumente utilizadado para descrever a forma praticada por Morihiro Saito, um dos discípulos que estudou por mais tempo diretamente com O-Sensei (de 1946 até 1969). O estilo de Iwama inclui um estudo combinado do aiki-jo (bastão), do aiki-ken (espada) e do tai-jutsu (técnicas de mãos livres). Podemos encontrar praticantes do Iwama-ryu dentro e fora da fundação Aikikai. A maior organização independente do estilo é a Iwama Shin-Shin Aiki Shuren-kai, encabeçada por Hitohiro Saito, filho de Morihiro Saito.
- Shin Shin Toitsu Aikido - também conhecido como Ki-Aikido, linha fundada por Koichi Tohei com base em seus estudos com o mestre Tempu Nakamura (fundador do Shin Shin Toitsu Do, ou caminho da unificação mente-corpo). Este sistema peculiar é caracterizado por técnicas muito sutis e fluidas, com ênfase no desenvolvimento da energia (ki).
- Shodokan - também conhecido como Tomiki Aikido. Fundado pelo mestre Kenji Tomiki, o Shodokan Aikido é o único estilo que permite a competição, sendo uma mistura da forma original com o método de ensino do judô moderno. Incorpora várias formas de desequilíbrio, esquiva, golpes, torções, arremessos, rolamentos e giros no seu repertório técnico. Ele ensina desde técnicas tradicionais até técnicas desenvolvidas para o meio competitivo. O Shodokan engloba kata, treino livre, competição e defesa pessoal. A participação em competições não é obrigatória.[9]
- Yoshinkan - fundado por Gozo Shioda possui ênfase na eficiência em combate devido à qual é frequentemente visto como um estilo duro (hard style) em alternativa aos estilos concentrados na fluidez, estética e espiritualidade. É ensinado à polícia municipal de Tóquio.
- Shin'ei Taido - criado pelo sobrinho do Fundador, sensei Noriaki (Yoichiro) Inoue (1902-1994).
- Korindo - criado por Minoru Hirai, antigo discípulo do Fundador no Aikikai Hombu Dojo em Tóquio. Foi esse mestre também o responsável pela criação do nome da arte marcial, quando em 1942 foi delegado da instituição perante o Butoku-kai.
[editar]Características
[editar]Denominação
O termo aiquidô (aikidō) é composto por três ideogramas kanji: 合 (ai), harmonia; 気 (ki), energia; e 道 (dō), caminho. O que, numa tradução mais ou menos literal, significaria «caminho para harmonização de energia» ou «caminho para harmonia de energia». "Ki" é o mesmo que "Chi" do chinês. Estes termos são os que entram em energia. A energia que flui de cada ser.
O termo dô pode ser achado no judô ou no kendo, ou na arte da caligrafia (shodō) ou do arranjo de flores (kadô). O termo aiki refere-se ao princípio da luta de absorver o movimento dos atacantes para controlar suas ações com o mínimo esforço. Se inspira no tao ou o todo ou o caminho, não se admitindo competição e onde o treino procura desenvolver sentimentos de fraternidade e cooperação. Baseia-se em movimentos fluidos e circulares. Além das técnicas de mãos vazias, os treinos também podem incluir armas: bokken oubokutô (espada de madeira), jô (bastão curto) e tanken ou tantô (faca de madeira).
- Em combate, não há o costume de recuar.
- Se o adversário puxa o aiquidoca, este o empura e logo o gira.
- Se o adversário avança, o aiquidoca o gira e tão logo o puxa.
- Se especializa em torções dos membros superiores, bem como mãos e dedos, além de desequilíbrios.
Na sua teoria espiritual, parte fundamental da luta, o aiquidô busca a harmonia dos seres com uma energia universal chamada ki, comum às práticas zen e à ioga. Este termo não tem uma tradução estrita para o português, podendo denotar diversos conceitos: respiração, sopro vital, espírito, energia ou intenção (nas imagens quem está aplicando a técnica é denominado tori ou nage e quem sofre a aplicação é chamado uke).
[editar]Etiqueta
O motivo pelo qual se usa a calça hakama reside no fato de que por suas sete pregas tem-se a representação das sete virtudes do samurai, das quais uma é a etiqueta (respeito), pelo que um aiquidoca deve dar muita atenção à etiqueta, principalmente dentro de um dojô.
O atual Doshu (Do= caminho; Shu= mestre), Moriteru Ueshiba, pratica o Cha No Yu (cerimônia do chá), que é em essência a prática da etiqueta.
Cada dojô tem suas peculiaridades sobre etiquetas e protocolos, mesmo no Japão, mas alguns comportamentos são mais claros a todos japoneses do que aos ocidentais não iniciados:
- Ao adentrar e ao sair do dojô e do tatame, fazer reverência em direção ao kamiza (altar xintoísta) – Quando estiver entrando, a reverência representa seu sentimento de solicitação, de humildade. Quando estiver saindo, representa seu sentimento de gratidão.
- Ao começar e terminar o treino, fazer reverência em seiza (ajoelhado) ao kamiza e ao shidoin (instrutor).
- Ao início e ao término da prática a dois, fazer uma reverência ao parceiro de treino. - Ao início pode-se dizer Onegai shimasu (por favor), ou, mais formalmente Onegai itashimasu. Ao término, pode-se dizer Arigatou gozaimashita (muito obrigado), ou, mais formalmente, Domo arigatou gozaimashita.
- Quando o sensei (mestre) ou shidoin (instrutor) estiver lhe dando orientações, permanecer na posição de seiza (ajoelhado) e após o término, agradecer com uma reverência. – Permanecer nessa posição denota humildade para receber os ensinamentos, enquanto permanecer em pé seria como conversar com um colega.
- Se precisar pedir instruções ao sensei, não o chame. – Dirija-se ao sensei para lhe pedir a instrução. Lembre-se que para o samurai o discípulo é quem deve servir a seu mestre.
- Pague a mensalidade em dia. - Aos olhos ocidentais, esta regra pode parecer materialista, mas a mensalidade é uma adaptação moderna do envelope que os discípulos depositavam no kamiza após o treino, como forma de agradecimento aos ensinamentos passados.
- Não cruzar os braços dentro do dojo.- No Japão, cruzar os braços é um sinal de desavença.
- Não arregassar as mangas dentro do dojo – No Japão, arregaçar as mangas é um sinal de desavença. Se não houver jeito, arregaçar as mangas para dentro.
- Manter o dogi (do = caminho; gi= vestimenta) em ordem. – Mantê-lo sempre limpo, bem-passado, com o obi (faixa) alinhado e o paletó adequadamente fechado são sinais de disciplina.
- Quando estiver no tatame, não apoiar as costas nas paredes.– Essa regra existe tanto pela questão disciplinar, quanto pelos aspectos marciais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário